Interview with Nightwish 135

Source: Nightwish Brasil Fansite


2001 - MundoRock.net

(Por: Gisele Santos)

 

Mundo do Rock: Bem, vamos falar do novo álbum "OVER THE HILLS AND FAR AWAY", lançado em julho de 2001. Como foi a produção e o processo de gravação?


Nightwish: Usamos a mesma fórmula de antes: o Caverock Studio em Kitee e Finnvox em Helsinki, com os mesmos engenheiros: Tero Kinnunem e Mikko Karmila. O processo de gravação foi bem calmo e não tivemos a pressão, que é familiar, nas gravações de um disco inteiro. Então, foi bem relaxante.

 

 

 

Mundo do Rock: Quem fez a capa e o que significa?


Nightwish: A versão final tem uma diferente capa da versão européia... Não sei de qual das duas você está perguntando. A capa branca é uma fotográfia dos Andes, tirada do avião durante nossa turnê pela América do Sul. A outra capa foi manipulada pelo nosso "gig" em São Paulo e alguns gráficos. Eu gosto das duas, "OVER THE HILLS AND FAR AWAY".

 

 

 

Mundo do Rock: Quais as influências incluidas neste novo trabalho?


Nightwish: Nós queriamos fazer algo entre um álbum normal e algumas músicas ao vivo. "Over the Hills..." tem muitas memórias nostalgicas, porque Tuomas era um fã de Gary Moore nos anos oitenta. Essa música foi uma grande sucesso e ele era totalmente ligado nela. Ai, anos depois ele achou essa música de novo e pensou que ficaria um cover interessante. É uma daquelas músicas angelicais que nunca fica velha. As outras duas músicas, Tuomas fez especialmente para esse disco. "10th Man Down", é mais uma tradicional balada do Nightwish. Nós todos gostariamos de sair disso tudo, agora e sempre...

 

 

 

Mundo do Rock: "Over the Hills and Far Away" já ganhou disco de platina na Finlândia, por terem atingindo a marca de 10.000 cópias vendidas. Vocês esperavam tanta rapidez na vendagem assim? Como foi tudo?


Nightwish: Bom, aqui na Finlândia tem uma verdadeira base de fãs, então já tinhamos alguma expectativa, mas ganhar chegar a platina tão rápido, foi uma surpresa! Mesmo agora, a 26 semanas nas paradas, ainda estamos com a posição número 4 na parada oficial da Finlândia.

 

 

 

Mundo do Rock: Por que fizeram a regravação de "Astral Romance", da banda Angels Fall First?


Nightwish: Todos nós amamos essa música, mas foi uma produção meio pobre no primeiro álbum, então queriamos refazer com um som e vocal masculino melhor. É também a primeira música escrita para o Nightwish, então tem um toque de nostalgia nela.

 

 

 

Mundo do Rock: Somente a versão alemã de "Over The Hills And Far Away" inclui seis faixas ao vivo além das seis canções inéditas?


Nightwish: Não posso continuar com isso... Acho que as músicas ao vivo estão incluídas em quase todas as versões, menos da Finlândia. As gravadoras fazem muitas coisas sem informar os artistas, ha ha ha!

 

 

 

Mundo do Rock: Irão lançar videoclipe de alguma música?


Nightwish: Tem um video do "Over the Hills...". Foi filmado a alguns meses atrás, e é de longe nosso melhor video. Não vai ser lançado separadamente, mas provavelmente será uma faixa bônus em algum futuro cd nosso.

 

 

 

Mundo do Rock: Qual a música preferida da banda? Não só deste trabalho, mas pode ser de outros também.


Nightwish: Todo mundo tem sua música preferida. Pra Tuomas e para Tarja, definitivamente é "Dead Boy's Poem". Todos nós amamos Gethsemane, Kinslayer, Sleeping Sun...

 

 

 

Mundo do Rock: Como tem sido os shows?


Nightwish: A maioria fantástico! Naturalmente nós temos nossos dias ruins, a maoria por causa de alguma indisposição. É sempre um prazer tocar em algum lugar exótico, como a América do Sul, Rússia ou Koréia do Sul. Quanto mais selvagem o público, melhor é. (O Brasil mostrou ser o melhor, até agora...)

 

 

 

Mundo do Rock: Como vocês reproduzem os coros ao vivo? Fazem playback ou coisa do tipo?


Nightwish: Sim, temos algumas fitas de fundo, que inclui o coro, algumas vozes masculinas e uns efeitos. Isso é necessário para shows ao vivo, pois temos um grande som no cd. Naturalmente tocamos todos os nossos instrumentos ao vivo. Não é possível trazer um coral ou uma orquestra para os shows, pelo menos ainda não, mas é uma boa idéia!

 

 

 

Mundo do Rock: É verdade os boatos sobre o rompimento da banda com a gravadora Spinefarm Records?


Nightwish: Os rumores são um saco! Nós temos uma boa relação com a Spinefarm, e também faremos nosso próximo álbum com eles.

 

 

 

Mundo do Rock: Em 2001 a banda lançou seu 1º DVD, um show gravado ao vivo na Finlândia, chamado "From Wishes To Eternity". Falem um pouco sobre este DVD e como tem sido a aceitação.


Nightwish: Estavamos com muito medo pra fazer isso. Mesmo assim, a idéia de ser a primeira banda na Finlândia a fazer algo do tipo, fez com que dessemos o melhor de nós. O show em si foi muito bom, mas foi um grande trabalho para colocar tudo junto. Estamos muito satisfeitos com o resultado e parece que o público também. Teve até uma pré estréia num grande cinema para esse lançamento!

 

 

 

Mundo do Rock: O que vocês acham de toda a fama e principalmente de serem um dos mais importantes grupos do cenário metálico mundial?


Nightwish: Uau, não vamos tão longe assim... :) Naturalmente estamos felizes por tudo isso, e estamos tentando dar o melhor que podemos para o futuro. Estamos orgulhosos pelo o que conseguimos e tudo isso sem compromissos, sendo quem a gente é, falando através da nossa música. Não teve nenhuma imagem construida ou empresários na nossa história, então é ótimo ver que as pessoas apreciam a honestidade e a originalidade de nosso trabalho.

 

 

 

Mundo do Rock: Existe algum feed back direto com os fãs para saberem o que estão achando do novo trabalho?


Nightwish: Existe no site da banda www.nightwish.com. O cd "Over the Hills..." foi muito apreciado, mas podemos perceber facilmente que todo mundo já está esperando por um álbum normal.

 

 

 

Mundo do Rock: Por que Sami Vänskä saiu da banda?


Nightwish: Foi uma decisão de todos os integrantes da banda, inclusive Sami. Por muitos motivos, alguns problemas pessoais e uma necessidade de renovar o círculo da banda.

 

 

 

Mundo do Rock: Vocês já tocaram aqui no Brasil. O que acharam do público?


Nightwish: Você sabe como a gente se sentiu!!!! Eu nunca tinha visto tanta paixão em um show. Vocês são muito legais e respeitadores, então já estamos contando as noites para nosso próximo show aí!

 

 

 

Mundo do Rock: Os fãs brasileiros adoram vocês e vivem perguntando, quando o Nightwish voltará ao Brasil?


Nightwish: Isso provavelmente vai acontecer em julho ou agosto de 2002, depois do lançamento do nosso próximo álbum!

 

 

 

Mundo do Rock: Deixem um recado para os fãs e leitores do site MundoRock.net:


Nightwish: Segredos da noite e gritos! Veremos vocês em breve!


Interview with Nightwish 134

Source: Nightwish Brasil Fansite


2000 - Rock Brigade nº167

Seg, 23 de Junho de 2008 19:23


Eles foram certamente a maior revelação musical de 1999. Graças ao estrondoso - e merecido - sucesso do álbum Oceanborn mundo afora, o Nightwish tornou-se uma das mais faladas e reverenciadas bandas de heavy metal da atualidade. Lançando mão de uma mistura musical pra lá de original de guitarras melodiosas, teclados clássicos, cozinha pesada e uma cantora de dotes fenomenais, o grupo finlandês tornou-se um dos grandes nomes do rock pesado em tempo ínfimo, arrebanhando fãs apaixonados nos quatro cantos do mundo heavy. E não demorou muito para que o quinteto percebesse que estava exatamente em sua genial vocalista seu maior diferencial (dentre tantos). Chamada Tarja Turunen, a cantora não só enriqueceu o som do Nightwish com um approach praticamente inexistente no metal como trambém mostrou naquele CD ser a voz feminina definitiva dos anos 90, deixando para trás todas as outras que inundaram a cena nesta década.

O novo álbum do Nightwish, Wishmaster, prova que, ao contrário do que deveria rezar a crença popular, Oceanborn, pôde, sim, ter um sucessor à altura, Ainda praticando sua singular e inominável fusão de metal melódico com doom metal e passagens sinfônicas, o grupo produziu um disco menos imediatista, mas que, após repetidas audições, mostra-se não menos que magistral. Suas onze faixas (doze na versão brasileira) são um deleite para os ouvidos e neles Tarja, Holopainen (teclados), Emppu Vuorinen (guitarras), Jukka Nevalainen (bateria) e Sami Vänskä (baixo) demonstram estar caminhando a passos largos em direção ao estrelato definitivo - e, novamente, mais do que merecido. A boa notícia é que nós, brasileiros, seremos um dos primeiros a conferir o novo patamar do grupo ao vivo, já que ele se apresenta por aqui em julho próximo.

Para falar sobre tudo isso, ligamos numa terça-feira de manhã para a casa de Tarja Turunen. Extremamente simpática (agradeceu nosso interesse em entrevistá-la diversas vezes), modesta (atribui todo o sucesso da banda ao tecladista Tuomas) e bem humorada (ri o tempo todo), a cantora tem uma voz tão suave quando fala que é difícil acreditar que se trata da mesma pessoa que nos CDs do Nightwish solta aquele vozeirão! Não gosta muito de metal e, para quem não sabe, é casada. Mas, va lá, ninguém pode ser perfeito, né?

Confira a entrevista:


Revista Rock Brigade: Oceanborn foi um sucesso estrondoso em todo o mundo, tanto em termos de público quanto entre a mídia especializada. Vocês esperavam que o disco fosse ser tão bem recebido?

Tarja Turunen: Não, de jeito nenhum. Na verdade, não tinhamos qualquer expectativa sobre o disco, muito menos que ele seria o sucesso que foi. A maior razão para isso foi que, apesar de ser nosso segundo álbum oficial, ele foi nosso primeiro real, já que Angels Fall First era uma demo que acabou sendo prensada em CD. Por isso tudo, não tinhamos qualquer pensamento no sentido de esperar que teríamos tanto sucesso com Oceanborn. Mas acabou sendo algo realmente enorme para nós. Ainda somos uma banda extremamente jovem, por isso, temos que manter os pés no chão, já que não temos uma carreira estabilizada por enquanto. Há muito trabalho a ser feito, definitivamente há.


Revista Rock Brigade: Devido a esse enorme sucesso de que Oceanborn usufruiu, como foi lidar com a pressão de se fazer um álbum novo - no caso, Wishmaster - que fosse tão bom e tão bem sucedido quanto ele?

Tarja Turunen: Eu falei bastante com Tuomas sobre Wishmaster e ele sempre me dizia que este álbum é a seqüência natural de Oceanborn. Foi um processo de maturação totalmente natural termos chegado ao ponto em que estamos em Wishmaster. É claro que houve bastante pressão sobre nossos ombros, mas as gravações foram bastante sossegadas, tudo aconteceu normalmente. Como sempre, fizemos todos os arranjos no estúdio e posso dizer que não houve interferência alguma dessa pressão sobre o trabalho. É claro que todos nós progredimos, eu como cantora e eles [o resto da banda] como músicos. Por isso, acredito que esta pressão teve um efeito positivo sobre nós.


Revista Rock Brigade: Na minha opinião, Wishmaster é um disco mais difícil que Oceanborn. Quer dizer, Oceanborn é um álbum que você gosta já na primeira ouvida, enquanto Wishmaster requer repetidas audições para que seja totalmente apreciado, talvez por ser mais complexo musicalmente. Você concorda?

Tarja Turunen: [rindo] Desculpe, mas não concordo, não [risos]. Para mim é o contrário, acho Wishmaster um trabalho bem mais simples do que Oceanborn, pois as músicas são mais diretas, temos linhas harmônicas mais retas nas novas canções. Se tivesse que apontar uma diferença básica entre os dois CDs, eu diria que ela reside no fato de, desta vez, termos direcionado todas as músicas para as minhas linhas vocais. Tuomas disse que, a partir de agora, nosso trabalho deve ser totalmente concentrado em mim, ou melhor, na minha voz. Por causa disso, neste novo CD, ele preocupou-se em escrever músicas que utilizassem todo alcance da minha voz, desde os tons mais graves até os mais agudos. Em Oceanborn, era quase tudo voltado para os tons mais altos. Também tivemos a preocupação de usar temas mais cotidianos nas letras e não falar tanto de fantasias como em Oceanborn. É claro que vocês podem encontrar letras fantásticas em Wishmaster também, mas de um ponto de vista diferente, mais "vida real".


Revista Rock Brigade: É realmente gritante o fato de a sua voz ter-se tornado o centro das atenções no Nightwish em Wishmaster. Você acha que os seus vocais são de fato o grande diferencial da banda?

Tarja Turunen: [pensa um pouco] Um dia desses, me disseram pra mim que minha voz não é exatamente a voz de uma soprano, embora eu acho que seja [risos]. Mas, de todo modo, eu sou uma cantora clássica e aprendi a postar minha voz de uma certa maneira, que não é a maneira usual em bandas de rock. Além disso, agora eu sei o que quero fazer com minha voz, como quero usá-la. Se você pegar músicas como Dead Boy's Poem ou Come Cover Me, vai ver que eu não uso toda a potência da minha voz, eu as canto de uma forma bem mais suave. Quando nós começamos a tocar juntos como Nightwish, ninguém pensava que eu era o elemento-chave, eu mesmo não pensava nisso, de jeito nenhum. Eu era somente mais uma integrante. [Solta um riso tímido] Mas agora as coisas mudaram. Mesmo porque sou eu quem fica lá no meio do palco, sou eu quem tem que se comunicar com a platéia, o que é uma grande pressão pra mim [ri]. Pode ter certeza que é mesmo.


Revista Rock Brigade: Essa situação é cômoda ou você preferia não estar tanto assim no centro das atenções?

Tarja Turunen: Não, eu amo ser o centro das atenções [risos]. Eu adoro estar no palco, adoro estar com as pessoas, conhecer as pessoas. De verdade, não estou falando isso apenas por falar. Estar em cima de um palco tornou-se algo já natural pra mim, pois já participei de muitos concertos. Quer dizer, estou ainda participando e talvez participe de muitos mais no futuro, mas o que eu quero dizer é que a música tornou-se o amor da minha vida. E eu aproveito cada minuto disso.


Revista Rock Brigade: Desta vez, me parece que há um esforço para se fazer do Nightwish uma banda com uma imagem mais sexy. Há aquela foto da garota nua no encarte de Wishmaster e mesmo você está com um 'look' mais sexy nas fotos promocionais do álbum. Há realmente um esforço neste sentido?

Tarja Turunen: [rindo muito timidamente] Ah, não pergunta isso pra mim não. O Tuomas é quem deve responder isso. Eu já ouvi alguns comentários deste tipo e acredito que o próprio Tuomas considera Wishmaster um trabalho mais sexy do que Oceanborn. Eu não sei, talvez isso tenha ocorrido porque Tuomas escreveu algumas letras bem pessoais sobre sua vida. [rindo outra vez] Ah, eu não sei, mas acho que se você ler as letras pode achar a explicação para o fato de a banda estar mais sexy agora.


Revista Rock Brigade: OK, mas eu não me refiro somente à parte musical, mas também à parte visual propriamente dita. Como eu disse, há a garota nua no encarte e as suas fotos, que são boas pistas.

Tarja Turunen: Eu nunca pensei muito sobre isso. Na verdade eu ainda nem vi o encarte do disco [risos], mas eu sei que há esta foto a que você está se referindo. De qualquer maneira, é claro que, devido ao fato de eu ser a única mulher na banda, talvez as pessoas pensem que eu seja a única pessoa sexy nela. Mas eu não concordo com isso. Aliás, também não acho muito importante haver essa associação entre a minha imagem e coisas mais sexy.


Revista Rock Brigade: OK, você escapou [risos], Musicalmente, você considera que Wishmaster é o melhor trabalho da carreira do Nightwish?

Tarja Turunen: Sim. Acredito que tenhamos progredido bastante como músicos e, além disso, este disco é muito mais sinfônico do que power metal, o que me agrada. É claro que você pode ouvir algo como aquela música... Como é mesmo o nome ? Crownless. Eu não gosto desta canção, não mesmo [risos]. Mas ela é definitivamente uma música power metal. Só que ela é a única e Tuomas já me disse que não irá mais fazer nenhuma canção nesses moldes no futuro. Seremos cada vez mais sinfônicos e, como neste é o nosso disco mais sinfônico por enquanto, creio que com certeza é o melhor.


Revista Rock Brigade: Wishmaster conta com a participação de um coral de vozes em diversas faixas. Como foi a experiência de gravar com todos esses cantores?

Tarja Turunen: Eu não estava no estúdio quando eles foram gravar [risos]. Minhas sessões foram em outros dias. Mas eu sei que se tratava de um coral formado apenas por cantores muito jovens e, por causa disso, Tuomas me disse que foi extremamente difícil trabalhar com eles. E eu disse pra ele que o trabalho feito com os moleques tinha ficado inacreditável, pois eles não eram cantores profissionais e o resultado ficou totalmente aceitável.


Revista Rock Brigade: Como as partes do coral serão reproduzidas ao vivo?

Tarja Turunen: Bem, é claro que não podemos levar um coral de vozes em turnê conosco, é caro demais. Por isso, suas partes terão que ser pré-gravadas, Ou seja, usaremos... Como é mesmo a palavra ? [RB - samples] Sim, isso mesmo. Mas o resto será tudo ao vivo.


Revista Rock Brigade: Você disse há pouco que não gosta de Crownless. Então, quais são as músicas de que você gosta?

Tarja Turunen: [rindo] Bem, tenho as minhas favoritas, claro. Gosto muito de She Is My Sin e também de Dead Boy's Poem, que é a música mais importante que o Nightwish já fez. Tuomas me disse que esta canção é o que ele já fez de melhor em toda sua carreira como músico. Acho que essas duas são as minhas prediletas.


Revista Rock Brigade: E quais são as suas músicas favoritas nos outros discos do Nightwish?

Tarja Turunen: Eu gosto bastante de Beauty and the Beast, do Angels Fall First. [longa pausa] E também acho que Walking in the Air, do Oceanborn, é uma de nossas melhores músicas. Gosto muito dela.


Revista Rock Brigade: Você não compõe nada no Nightwish. Porque não?

Tarja Turunen: Sim, é verdade. O que ocorre é que Tuomas é seguramente o nosso cérebro, ele é a mente por trás de tudo no Nightwish, a banda é uma manifestação de suas idéias e da sua alma. Eu tenho um respeito imenso por ele. Nossa música é definitivamente a música de Tuomas. É claro que minha voz está incluída nisso, mas ainda assim, ele é o cara por trás de tudo. Por isso, quando você pensa no Nightwish, tem que pensar em Tuomas como o compositor e Tarja como a vocalista.


Revista Rock Brigade: Oceanborn foi lançado com duas capas diferentes na Europa. Por que isso aconteceu?

Tarja Turunen: A razão para isso foi que a gravadora alemã que licenciou o disco para o resto da Europa [N. Do R.: exceto Escandinávia], a Drakkar, não gostou da capa original, e não queria lançar o CD com ela. Então eles fizeram uma outra. Porém, todos nós da banda realmente não gostamos da capa que eles arrumaram. Foi uma coisa difícil para nós, mas tivemos que aceitar. Há muitos pequenos erros na capa deles. Por exemplo, era muito importante para nós que a coruja fosse branca e na capa original ela é. Só que na deles ela é marrom, o que não tem nada a ver com o conceito. São coisas como essas, que nos deixaram tristes com aquela capa. Mas acontece, fazer o quê [N. Do R.: a capa da versão brasileira é a original].


Revista Rock Brigade: Mas a capa de Wishmaster deve ter deixado todo mundo contente, pois é muito bonita. De quem foi a idéia?

Tarja Turunen: Do Tuomas, todo o conceito de capa e encarte é idéia dele. O garoto do desenho é o mesmo da música Dead Boy's Poem. Se você observar bem, no céu está a figura de sua mãe, e ela está enviando os pássaros para o filho. Tudo isso ocorre à beira do oceano, que é uma coisa muito importante para o Tuomas. O mar é certamente uma de suas maiores fontes de inspiração.


Revista Rock Brigade: Hoje em dia, existem inúmeras bandas que contam com mulheres cantoras. Além do próprio Nightwish, muitas outras tem feito bastante sucesso, casos do The Gathering, Sinergy e Theatre of Tragedy, por exemplo. Qual a causa desse sucesso e por que as mulheres demoraram tanto para chamar a atenção dentro do metal?

Tarja Turunen: Eu não sei. Bem, acho que é muito mais fácil para uma mulher conseguir as coisas do que para um homem, seja o que for. É claro que nos anos 80 havia bandas com mulheres cantando, mas elas ficavam em segundo plano, raramente no centro do palco atraindo todas as atenções. Também é mais simples para quem é o vocalista chamar a atenção e mostrar seus sentimentos. Normalmente, a platéia interage mais com o vocalista do que com os outros músicos. Por outro lado, o cantor também é quem mais está vulnerável a não ser aceito pelo público, pois é difícil esconder o que está sentindo. Às vezes você não está bem num show e a platéia logo detecta isso. Eu sofri todo o tipo de preconceito quando comecei a cantar no Nightwish, pois sou mulher, sou cantora clássica e jamais havia ouvido Heavy Metal antes em toda minha vida. Mesmo assim, quando eu subi ao palco pela primeira vez com a banda, vi que era aquilo que eu deveria fazer. Eu gostei muito da experiência. Hoje o público e o meio Heavy já me aceitaram totalmente e é muito legal poder notar isso. Eu não sei porque isso está acontecendo só agora não só comigo, mas com todas as mulheres, mas acho que tem a ver com o estilo que quase todas nós fazemos, que é este metal mais melódico e com um lado bem oitentista, que está tendo ótima repercussão em muitos lugares do mundo.


Revista Rock Brigade: Você já teve algum problema com homens na platéia gritando baixarias pra você durante um show ? Ou mesmo no backstage?

Tarja Turunen: [rindo] Ah, lógico! Já ouvi umas coisas bem nojentas [risos], mas não tem problema, sei lidar muito bem com isso. Mesmo porque eu estou sempre com os outros caras da banda, sempre. Ou com outras mulheres [risos]. Assim, eu fico longe de qualquer problema. Minha única preocupação é nunca ficar sozinha, jamais. Pois assim sei que não terei nenhuma surpresa desagradável.


Revista Rock Brigade: Você disse que jamais havia escutado metal na vida antes de se juntar ao Nightwish, por isso, suponho que você não seja muito fã do estilo. Assim, qual é o tipo de música que você escuta quando está em casa?

Tarja Turunen: Bem, eu tenho que trabalhar com música o dia inteiro, seja nos ensaios e gravações com o Nightwish, seja estudando. Por isso, quando chego em casa, a única coisa que faço é ligar o rádio e o deixar rolando, sem me importar muito com o que estou ouvindo. De qualquer modo, eu gosto muito de Vangelis, acho que ela é a pessoa que mais me toca musicalmente. Amo seu trabalho. E é claro que também ouço muita música clássica. E você está certo, não ouço muito heavy metal, mas há uma banda da Finlândia... [pensativa] Como se chama ?


Revista Rock Brigade: Children of Bodom [N do R.: Não sei porque diabos arrisquei essa]?

Tarja Turunen: Não, não. Quer dizer, eu gosto da música deles, mas não do vocalista. [rindo] Pra mim, os vocais são a coisa mais importante numa banda de Heavy Metal e realmente não dá pra eu dizer que aqueles berros e urros signifiquem que alguém está cantando [risos]. São todos bons músicos, mas com aquelas vozes não dá pra mim.


Revista Rock Brigade: Então, seria o Stratovarius?

Tarja Turunen: Sim, isso, é o Stratovarius. Eles são muito bons. Eles têm uma carreira já bastante longa e espero que ainda tenham muito sucesso pela frente. Gosto muito da música deles.


Revista Rock Brigade: O Nightwish está vindo tocar no Brasil agora em julho. O que os fãs podem esperar dos shows por aqui?

Tarja Turunen: [rindo] Ah, eu não sei, ainda não temos muita idéia do que vamos fazer por aí [N do R.: esta conversa rolou no dia 9 de maio de 2000]. Mesmo assim, estou bastante ansiosa para tocar no seu país. Será a primeira vez que vou ao Brasil, claro, e já discutimos bastante como serão os shows. Nós sabemos que os brasileiros são loucos e até fanáticos por este tipo de música, além de serem pessoas que realmente mostram o que estão sentindo. Isso é algo que você não vê na europa, especialmente na Alemanha ou na Escandinávia. Estou realmente ansiosa para tocar por aí e ver o que acontecerá.


Revista Rock Brigade: Você conhece algo da música brasileira?

Tarja Turunen: [solta um "oh no" muito engraçado] Não faça isso comigo [risos]. Eu não conheço muito o que acontece por aí. Me desculpe. É uma vergonha... Deus, me desculpe [N. do R.: fica se desculpando repetidamente até eu dizer pela vigésima vez que não havia problema algum nisso].



Interview with Nightwish 133

Source: Nightwish Brasil Fansite

2000 - Coletiva de Imprensa em São Paulo
Como vocês se sentem no Brasil e quais são suas impressões ?

Tarja Turunen: Nós estamos muito cansados, mas estamos muito felizes por estar neste país.

O que vocês esperam dos shows no Brasil ?

Tuomas Holopainen: É difícil dizer, pois é uma mudança muito grande, um show em um país tão distante quanto o Brasil, por isso nós só podemos tentar adivinhar. Mas pela resposta dos nossos fãs, pelos e-mails que recebemos, achamos que será um show muito bom.

Qual a diferença entre wishmaster e os seus outros álbuns, qual sua opinião ?

Tarja Turunen: Wishmaster é uma evolução natural de Oceanborn. Tudo aconteceu mais naturalmente. Nós não temos que pensar como compor ou mesmo como escrever as músicas ou para quem estará escutando. É claro, há muitas diferenças entre Wishmaster e Oceanborn.

Tuomas Holopainen: Eu acho que as principais diferenças são os vocais. Wishmaster é mais maduro, e ela usa muito mais os vocais, e coloca muito mais emoção nas músicas. Oceanborn é um álbum muito mais técnico.

O que vocês acharam de participar do CD coletânea da revista Gothic, uma vez que são mais influenciados pelo metal melódico ?

Tarja Turunen: Eu acho que a razão para os fãs de Gothic Metal continuarem gostando de nossos álbuns é que o primeiro álbum, Angels Fall First, é mais gótico... Tuomas: É isso. Angels é um álbum mais gótico. Nós começamos como uma banda de Gothic Metal, e junto ao fato de termos uma voz feminina, muita gente nos relaciona ainda ao Gothic Metal.

Quais são suas principais influências ?

Tuomas Holopainen: Como compositor, filmes e trilhas sonoras. Cada música pra mim é como se fosse uma pequena trilha sonora. E todo tipo de metal, desde Black até Gothic e Atmospheric. E é claro, música clássica.

Há alguma influência de Tolkien no seu primeiro álbum. Vocês planejam fazer algo mais específico no futuro, como o Blind Guardian ou Gorgoroth, por exemplo ?

Tuomas Holopainen: Na verdade eu escutei Blind Guardian há um tempo atrás, mas como essas bandas já fizeram coisas nesse gênero, eu não tenho intenção de fazer algo assim no futuro. E eu também não gosto muito de fazer álbuns conceituais.

Como vocês rotulam seu tipo de música ? Alguns rotulam como metal melódico, outros como doom metal...

Tarja Turunen: É um pouco difícil de dizer, rotular nosso som...

Tuomas Holopainen: As pessoas tendem a rotular tudo, eu acho muito difícil rotular música... Mas eu constumo perguntar aos alemães, eles são os melhores em rotular tudo (risos), e algumas pessoas dizem que somos "neo-classical progressive atmospheric gothic doom speed metal" (muitos risos). Pessoalmente, eu acho que somos somente uma banda de metal melódico.

Tarja, você possui algum cuidado pessoal com sua voz ?

Tarja Turunen: Eu canto todo dia, costumo praticar diariamente, tenho aulas de canto lírico toda semana, tenho meu método de praticar, mas não quero mostrar agora! (risos). (logo após ela solta um "oooh" agudo, em meio a muitos risos)

O Heavy Metal se transformou durante os anos. Ele passou ao thrash, depois ao death, houve uma renovação do black metal hoje em dia, e ele tem novas características. Vocês não acham que, por causa do estilo que fazem e também por haverem muitas bandas dentro deles, algumas ruins, que há o risco de vocês "caírem" ?

Tuomas Holopainen: Nós não costumamos nos preocupar com isso. Se acontecer, aconteceu, não haverá nada que possamos fazer. Nós fazemos o tipo de música que nós gostamos, não importa o que aconteça. Atualmente estamos felizes por estar entre grandes bandas de black metal, doom metal e metal melódico, mas quem sabe o que pode acontecer daqui cinco anos ?

Tarja Turunen: Mesmo porque ninguém nos disse como compor ou como escrever ou o que fazer, nós simplesmente fazemos a música que adoramos.

Tarja, como você havia dito a uma revista que não tinha contato com o heavy metal antes, como você vê hoje o metal, seus fãs, a maneira deles de vestir, de agir, o jeito como eles se comportam no shows, como você vê tudo isso ?

Tarja Turunen: Sim, eu nunca havia escutado metal antes do Nightwish, foi uma excelente experiência pra mim, eu sou uma garota muito sortuda, uma cantora lírica muito sortuda, pois há muitas cantoras líricas que não fazem nada além de música clássica, eu aprendi muito com isso. Eu tenho uma mente muito mais aberta hoje. Eu tinha uma visão muito diferente do que era o metal e tive até um certo medo no começo, mas hoje estou muito feliz.

Vocês já escutaram alguma banda brasileira ?

Tuomas Holopainen: No momento eu só lembro das maiores, Sepultura e Angra. Na verdade não sou nenhum grande fã delas, mas Sepultura tem grandes músicas e nós os respeitamos bastante.

Tarja, você percebe algum preconceito pelo fato de ter um jeito diferente de cantar, e por ser uma mulher no meio metal ?

Tarja Turunen: Sim, especialmente no começo. É claro que algumas vezes é difícil ser a única mulher no meio de tantos homens, e é uma tarefa dura, mas eu estou lidando bem com isso, e até gosto de viajar com o pessoal da banda.

Os que os fãs podem esperar do próximo álbum, uma vez que vocês mudaram bastante de um álbum para o outro ?

Tarja Turunen: Ooops!

Tuomas Holopainen: É muito difícil de dizer, porque nunca pensamos se a música vai soar de um jeito ou de outro, nós simplesmente compomos e escutamos como tudo fica no final. Mas nós não vamos mudar radicalmente de estilo.

No meio da década passada, apareceram muitas bandas com vocais femininos, como Tristania e Theatre of Tragedy. Como vocês se sentem sendo comparados à essas bandas, simplesmente por terem vocais femininos ?

Tarja Turunen: É natural essa comparação, mas não sei... não sinto nada! (risos) É claro, eu sou diferente dessas outras cantoras. Minha voz é mais bombástica, se compararmos com Tristania ou Theatre of Tragedy. É mais como uma soprano dramática, mais bombástica... Não sei, é difícil comparar.

Em quais países fora da Europa vocês tem maior repercussão e em que vocês fizeram shows ?

Tuomas Holopainen: América do Sul, e também fazemos algum sucesso no Japão.

Quais são os cuidados que vocês estão tomando para manter a mesma fidelidade do som de estúdio em seus shows, uma vez que vocês possuem arranjos muito complexos e muitos corais, por exemplo ?

Tuomas Holopainen: Bem, quando começamos a fazer os primeiros shows nós achamos que seria muito difícil reproduzir tudo ao vivo, mas tudo correu muito bem, até melhor sem os corais, mas após o terceiro álbum, decidimos preparar algumas fitas com os efeitos extras, falas e alguns corais, mas todas as músicas dos dois primeiros álbuns funcionam muito bem sem efeitos e corais.

Podemos esperar músicas dos primeiros álbuns aqui em São Paulo, mais especificamente "Beauty and the Beast" ?

Tuomas Holopainen: Não quero dizer aqui todo o set list, mas vocês podem esperar músicas de todos os três álbuns, e possivelmente "Beauty and the Beast".

Tarja Turunen: Ele a ama cantar! (risos)

Tuomas Holopainen: Oh sim, é claro! (em tom sarcástico)

Vocês tem algum vídeo oficial disponível ?

Tuomas Holopainen: Vídeos ? O que vc diz por vídeos ?

Algum show gravado, documentário ou coisa do gênero ?

Tuomas Holopainen: Eu não acho que tenhamos alguma coisa gravada.

Quem escolheu o nome Nightwish para a banda e qual a razão dele ?

Tuomas Holopainen: Nightwish é o nome de nossa primeira música de nossa primeira fita demo, e como não pudemos pensar em um nome melhor para a banda em nossa demo, apenas colocamos o nome da música nela, e continuou assim até hoje.

Vocês são reconhecidos na Finlândia apenas entre o público de metal, ou no meio artístico em geral ?

Tuomas Holopainen: Eu tenho que dizer que temos muito mais público fora da cena metal do que a maioria das bandas de metal da Finlândia, por exemplo. Eu acho que somos uma das bandas que mais vende discos de metal. Embora o metal seja um estilo de música marginal na Finlândia, nós vendemos muito mais que a musica marginal em si. E nós também recebemos muitas cartas e e-mails de pessoas de 50, 60 anos, não só de adolescentes.

Interview with Nightwish 132

Source: Nightwish Brasil Fansite | The Escapists

2000 - Whiplash.net

Entrevista concedida a Haggen Kennedy

5 de julho de 2000

"Oceanborn" definitivamente foi um marco na história dessa banda, que irrompeu no meio metal há alguns anos, fazendo-se ser vista (e ouvida!) por todo o globo. Meios de comunicação especializados no mundo inteiro deram nota máxima ao disco, que se tornou um ícone do estilo. Agora, no ano 2000, "Wishmaster" vem com força total para agraciar, uma vez mais, os apreciadores do estilo e da voz marcante de Tarja. Que, aliás, é uma pessoa inacreditável. Rompendo os limites de quão simpática uma pessoa pode ser, a vocalista do conjunto concedeu – de muito bom humor – esta entrevista a Whiplash!. Confira.

Confira a entrevista:

Whiplash!: Os fãs de Nightwish roeram unhas por esse "Wishmaster". Depois do sucesso de "Oceanborn", todos estavam bastante ansiosos pelo seu sucessor. Na verdade, o disco conseguiu posições notáveis junto a bandas de peso e nome no heavy, coisa muito difícil de se alcançar, levando-se em consideração que o grupo é novo. Você esperava que chegasse aonde está assim tão rápido?

Tarja Turunen: [pronunciando cada sílaba demoradamente] Não mesmo!!! Foi realmente uma surpresa para nós, acho que não tínhamos como esperar isso. Para mim principalmente, porque eu nem ouvia heavy metal, não conhecia nada do estilo, e de uma hora para outra revistas no mundo todo estão recebendo muitíssimo bem o CD. Digo, é claro que nos esforçamos para que fosse um CD benemérito, mas não achávamos que conseguiríamos tanto em tão pouco tempo, não tínhamos realmente a pretensão de alcançar o que conseguimos – que, definitivamente, é algo muito importante para todos nós.


Whiplash!: Tenho certeza que sim. Mas... você disse que não escutava heavy metal?!

Tarja Turunen: Ah, é, é verdade. Não escutava nada de heavy metal, nem sabia o que era. Engraçado, não? Hoje estou aqui, sendo entrevistada por você.


Whiplash!: O que você escutava?

Tarja Turunen: Ah, eu ouvia música clássica, já que pratico canto desde que era adolescente. Realmente nunca nem tinha me interessado em ouvir heavy metal até que o Tuomas e o resto do pessoal me introduziu no meio.


Whiplash!: Ah, foram eles os corruptores [risos]. Mas me explique melhor, por favor, como é que você parar nesse meio?

Tarja Turunen: Bem, eu conhecia os outros integrantes da banda desde que era pequena, éramos amigos de colégio. Então, um dia, fomos a uma praia em Kitee, que é uma cidade bem pequenininha aqui no interior da Finlândia...


Whiplash!: Em North–Karelia [nem sei como lembrei disso] ?

Tarja Turunen: Sim, isso, exatamente. Como você sabia?! Bem, então estávamos na praia, aquela coisa toda, e o Tuomas, o homem, ele, o mente-mestre do grupo [risos], tinha trazido uns violões com o resto do pessoal e resolvemos tocar alguma coisa. No começo foi mais pela brincadeira, mesmo. Mas então, eles quiseram levar a coisa mais a sério e insistiram que eu deveria entrar em estúdio e ensaiar e até compor ou gravar alguma coisa. Daí, quando comecei a cantar no estúdio, foi engraçado porque eles nem tinham notado o meu estilo de cantar, meu estilo mais clássico. Então, os caras ficaram tipo "wow, olha só que voz!" Foi engraçado, porque eu já tomava aulas de canto e eles nem desconfiavam que eu cantava de uma forma operística. Bem, eles gostaram (ainda bem!) e a partir daí eu fui ouvindo algumas coisas do meio heavy. Eles foram me apresentando a coisas novas, que eu ainda não tinha ouvido e eu fui gostando.


Whiplash!: Ah, muito bem. Mas falando um pouquinho do disco agora... como foi a produção, o processo de gravação?

Tarja Turunen: Bem, nós passamos cerca de 3 meses no estúdio, o que, para nós, é bastante tempo. Costumamos fazer as gravações em períodos mais curtos. Mas foi bastante confortável gravar tudo. Acho que levamos mais tempo porque nos permitimos mais tempo entre uma sessão e outra e descansamos um pouco mais. Ou talvez não. Acho que só eu descansei, o Tuomas trabalhou como um escravo [risos gerais]. Teve algumas partes como a dos coros com várias pessoas cantando em que o Tuomas me disse que suou em bicas tentando encaixar tudo certinho. Digo, eles não eram profissionais, então deu mais trabalho. Além disso, trabalhar com produção sempre é cansativo. Mas a minha parte foi gravada sem problemas e bem rapidamente. Foi mais uma experiência e mais um processo de aprendizagem do qual eu retirei ainda mais conhecimento.


Whiplash!: Falando nos coros, como vocês vão reproduzi-los ao vivo? Vão fazer playback ou coisa do tipo?

Tarja Turunen: É a única solução. Infelizmente, se levássemos toda uma orquestra para os shows e todos os coristas e tudo, ficaria realmente muito, muito caro, e ainda não temos como financiar um show desse porte. Vamos fazer as partes mais complexas com playbacks e os sintetizadores do teclado, samplers e coisas do tipo. Mas espero que num futuro próximo isso possa mudar. Na verdade, eu e Tuomas já conversamos a respeito da possibilidade de incluir uma orquestra real para a gravação de algum disco.


Whiplash!: Nossa, isso seria incrível. Como a banda é sinfônica, a orquestra influiria enormemente no processo de sonoridade do álbum...

Tarja Turunen: Com certeza, ficaria magnânimo. Mal posso esperar para que isso aconteça. Provavelmente vai demorar um pouco, eu sei, mas quando acontecer vamos soar muito mais sinfônicos e com certeza progrediremos imensamente.


Whiplash!: Voltando um pouquinho para o "Wishmaster", soube que você não gostava da faixa "Crownless", é verdade?!

Tarja Turunen: [rindo] É verdade, sim. Eu definitivamente não me orgulho de tê-la cantado.


Whiplash!: Nossa, mas por quê? Assim que eu a ouvi, decidi-me por ser uma das minhas favoritas no disco inteiro, achei realmente fantástica...

Tarja Turunen: Ah, eu não acho porque... porque... ah, não sei [risos gerais]. Sei lá, é muito power metal, soa clichê demais, eu acho. Não dá, não fui com a cara dela. [risos]


Whiplash!: É uma pena. E quanto à que vem em seguida, "Deep Silent Complete"?

Tarja Turunen: Eu gosto dela, sim. Não posso dizer que é minha preferida, mas eu gosto dela. Por quê? Gosta dela também?

Whiplash!: Definitivamente. É uma das minhas faixas favoritas. Aquela melodia vocal do começo é simplesmente perfeita. É muita emoção. Não sei, ela me passa muita coisa.

Tarja Turunen: Ah, é verdade. O refrão tem uma simplicidade bem legal. A linha vocal do começo cantarolando a melodia da música encaixou bem, também. É, realmente é uma música muito bonita, fico feliz por você ter gostado.


Whiplash!: E sobre "Dead Boy’s Poem"? O Tuomas mencionou que ela era a letra mais importante da vida dele, não?

Tarja Turunen: Ah, definitivamente. É a letra mais importante do Nightwish porque ela representa o Nightwish. A letra é tanto Tuomas como Nightwish. Na verdade, é como eu lhe falei há pouco: o Tuomas é a mente por trás do grupo. Se você pensa no Nightwish, você tem que pensar nele automaticamente. Ele é uma pessoa muito inteligente e muito, mas muito honesta também. Naquela letra ele pediu desculpas a algumas pessoas e ao mesmo tempo meio que rejeita as pessoas que merecem [ser rejeitadas]. Fala de como o conjunto é importante para ele – na verdade, a vida dele.


Whiplash!: Nossa, não imaginava que fosse tão profundo. Eu não lembro de você ter tomado parte em qualquer letra, entretanto. Você não escreve nada por quê?

Tarja Turunen: [totalmente tímida] Aaahh... bem... eu receio que.. hrmm... não possa escrever para o Nightwish...

Whiplash!: Não acredito!!! Por que não?!? O Tuomas não deixa?!

Tarja Turunen: Bem... não, não é isso... é que... bem... realmente o meu tipo de composição não é o mesmo estilo do Nightwish. Não encaixaria bem...


Whiplash!: E qual o seu estilo?

Tarja Turunen: Ah, não me pergunte isso, eu sou péssima para definir as coisas que eu faço [risos]. Bem, não sei, as coisas que componho ou escrevo são bem mais clássicas, totalmente mais voltadas à música clássica. E quer queira, quer não, o Nightwish é uma banda de heavy metal e não é feita só de sinfonias e orquestrações. E as minhas letras são todas alegrinhas, é uma coisa mais Helloween [N. do E.: nesse momento, este jornalista não agüenta e cai na risada]. Ah, por que você está rindo? Não faz isso, eu fico sem jeito... [risos]


Whiplash!: Desculpe, é que por esta eu realmente não esperava. Pra quem não conhecia nada de heavy metal, você está até bem por dentro do assunto.

Tarja Turunen: [risos] É, né? Estou melhorando. Mas sobre as letras, não encaixariam bem, mesmo. É melhor deixar tudo a cargo do Tuomas. Ele é o nosso cérebro, então melhor que continue sendo. Não queremos ter mudanças bruscas na sonoridade do Nightwish. Seguimos uma linha e acho que os fãs gostariam que permanecêssemos nela.

Whiplash!: Com certeza. Mas estávamos falando sobre o disco... e há uma música, a "Come Cover Me"... ela tem a melodia inicial idêntica a de uma música do Stratovarius. Eu tive a oportunidade de ler uma entrevista sua com a última Rock Brigade, onde você comentou que gostava daquela banda. Foi intencional isso?

Tarja Turunen: [visualmente impressionada] No way !!! Você está brincando, certo?!

Whiplash!: ...?! Não, é sério... por quê?

Tarja Turunen: Nossa, eu juro que não sabia. Nem fazia idéia disso...

Whiplash!: Sério? Bem, é realmente idêntica. Digo... a introdução. Quando eu escutei, pensei até que era um cover, só que depois a melodia muda. Eu imaginei: "eles devem ser bastante amigos dos caras do Stratovarius e quiseram elogiar musicalmente os colegas e colocaram essa melodia no começo"...

Tarja Turunen: Deus, de modo algum. [risos] Que engraçado isso. Eu realmente não tinha percebido. Mas bem, se realmente é tão parecido, não foi intencional. Digo, nem conhecemos os caras direito. Eu falei com eles uma ou duas vezes, mas foi coisa tipo "oi, tudo bem?", nada demais... quer dizer, conversamos alguma coisa aqui e ali mas nada que nos torne amigos íntimos [risos]. E, de qualquer forma, não acredito que o Tuomas ou qualquer outro membro tenha falado mais que isso também. Que coincidência, nossa, nem estou acreditando ainda. Vou comentar com o Tuomas depois a respeito e ver o que ele diz.


Whiplash!: Legal. Depois você me deixa saber o que ele disse. Estou curioso.

Tarja Turunen: [rindo] Ah, está bem. :-)


Whiplash!: Você tem algum contato com Internet? Eu acessei a página oficial do Nightwish alguns dias atrás e vi seu e-mail...

Tarja Turunen: Ah, sim, eu navego às vezes. Não freqüentemente, pois tenho bastante coisa para lidar aqui, na vida real. Mais uma [vida] ia ser muito trabalho para mim [risos]. Mas é, eu gasto um tempinho na Net, sim.


Whiplash!: Como eu disse eu vi seu e-mail lá... você checa sua mailbox freqüentemente?

Tarja Turunen: Bem... eu costumo checar umas duas vezes ao dia quando tenho tempo. Mas na maioria das vezes é meio difícil, pois como você sabe eu tenho um monte de coisas para fazer aqui... a banda, as aulas de canto e etc., e fica um tanto difícil ler e responder a todos os e-mails que recebo. Mas... [meio envergonhada] por que você está perguntando isso? Você mandou um monte de e-mails para mim e eu até hoje não respondi, não foi? Oh, Deus, me desculpe, é porque às vezes é difícil, mesmo e...


Whiplash!: [interrompendo] Calma, calma [risos]. Eu perguntei por curiosidade, mesmo. Na verdade, exatamente pelo fato de eu achar que você teria uma agenda bem cheia e, por causa disso, seria difícil responder a todos os fãs que lhe escrevessem, e aquela coisa toda...

Tarja Turunen: Ah... tem certeza de que não me escreveu, mesmo? Olha, se eu não tiver respondido foi porque não deu mesmo, sério, desculpe... [N do E: ela não acredita que eu perguntei por curiosidade e fica uns dois minutos me pedindo desculpas, apesar de eu dizer um milhão de vezes que não mandei nenhum e-mail]


Whiplash!: Vamos esquecer isso do e-mail [risos]. Você vai estar aportando no Brasil em algumas semanas... como se sente? Alguma expectativa?

Tarja Turunen: É difícil dizer o que esperamos. Claro que estamos muito ansiosos, mas não sabemos ao certo o que esperar. Todos nos falaram coisas muito boas a respeito do Brasil, inclusive o próprio pessoal do Stratovarius, pois sabíamos que eles tinham tocado aí algumas vezes e estávamos curiosos. Eles falaram super bem do Brasil, do público, da empolgação da platéia nos shows. Não queremos ir esperando mais do que o público possa nos dar, então estamos nos resguardando um pouco quanto a ter opiniões formadas, mas realmente estamos muito ansiosos e queremos ir para o Brasil o mais rápido possível. Ahhh, finalmente, vou ver um pouquinho de sol. [risos]


Whiplash!: Bem, eu sinto dizer isso, mas acho que nem São Paulo nem Curitiba terão tanto sol como cidades praieiras como o Rio. Soube que estava bastante frio, especialmente em Curitiba, que deu –2º C nesse fim de semana...

Tarja Turunen: Meu Deus, sério?! Incrível, vocês tem esse tipo de frio aí no Brasil também?! Pôxa, que pena. Bem, espero que eu dê sorte. Realmente é meio chato ficar aqui nesse frio o tempo todo. As pessoas até ficam mais fechadas, é meio ruim.


Whiplash!: Bem, eu também espero que você dê sorte e encontre um solzão quando vier aqui. Mas acho que é isso aí, Tarja. minhas perguntas terminaram. Algum comentário final?

Tarja Turunen: [pensando] Não sei... acho que só que espero que as pessoas aí gostem do nosso novo disco porque o fizemos com muito carinho e dedicação – como sempre faremos. E espero que o público compareça aos shows porque é muito importante para nós ver que o nosso trabalho é reconhecido e também porque queremos dar aos fãs uma recompensa por todo o apoio que eles nos deram. Um grande beijo aos leitores do Whiplash!



Concerning Nightwish's unreleased cover song...

Source: The Escapists | Nightwish Brazil


Nyman Autoriza a Gravação de "The Heart Asks Pleasure First"!
Sáb, 19 de Dezembro de 2009 12:51

 

Segundo Jarmo Lautamäki, webmaster do Site Oficial Nightwish.com, Michael Nyman autorizou que o Nightwish gravasse The Heart Asks Pleasure First, uma composição de sua autoria e tema do filme The Piano. Confira o que Jarmo disse no grupo do Facebook  We want Nyman to let Nightwish release their The Heart Asks Pleasure First!:


"Maybe someone of you already knew that Nyman finally gave Nightwish permission to publish "The Heart Ask Pleasure First". I talked about it with Tuomas last Friday and he said that they will publish it, but they haven´t decide yet when."

Tradução: Talvez alguns de vocês já saibam que Nyman finalmente deu ao Nightwish a permissão para para publicar The Heart Asks Pleasure First. Eu falei com o Tuomas sobre isso na última sexta-feira e ele disse que a banda irá publicá-la, mas eles ainda não decidiram quando.

 

Agora é só aguardar quando poderemos ouvir a versão do Nightwish para essa belíssima canção!

Interview with Nightwish 131

Source: Nightwish Portugal Fansite

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Tuomas Holopainen (2002) - Site Firerock



Nesta entrevista com Tuomas Holopainen, tecladista e fundador do NIGTHWISH, ele nos conta sobre a polêmica criada sobre a suposta saída de Tarja da banda, sobre os planos para o período de férias que NIGHTWISH vai ter no próximo ano e também sobre tudo o que envolveu o processo de composição do mais recente álbum, "Century Child". Confira.

Falando sobre o mais recente trabalho do NIGHTWISH, "Century Child", poderíamos dizer que vocês optaram por fazer um som um pouco mais progressivo?
Bem eu não tinha pensado ainda sobre isso, mas acho que sim, já que há sempre algo novo em cada álbum. Mas eu ainda não pretendo mudar o estilo que nós desenvolvemos porque eu acho que agora este conceito é realmente bom do jeito que está, mas a cada álbum eu quero experimentar um pouco mais., em "Century Child" nós fizemos experimentos com os estilos vocais, nós colocamos vocais masculinos e também usamos uma orquestra e um coro de vozes reais pela primeira vez.

Na minha opinião, o novo cd tem músicas um pouco mais técnicas. Isso foi proposital?
Sim, eu acho que desta vez, nós deixamos de fora alguns dos elementos tradicionais de power metal que você ainda ouvia anteriormente em "Wishmaster". Você sabe o que eu quero dizer, não há, por exemplo, aquela bateria tipo "Helloween" e coisas assim. A música é realmente mais "cinemática", mais visual, eu tiro muita inspiração de filmes e trilhas sonoras e eu acho que as pessoas podem perceber estas influências em nosso som.

E ele pode ser considerado um álbum conceitual?
Eu não consideraria "Century Child" um álbum conceitual, mas há um tema comum pertencendo a quase todas as canções. Eu classificaria "Century Child" como um álbum temático, mais não conceitual. Quando eu escrevi as canções, todas as músicas foram elaboradas de forma individual, mas depois de prontas, eu percebi que quase todas elas estavam tratando da mesma coisa que é o tema da inocência, da infância e especialmente a inocência perdida neste mundo.

Por que você acha que as pessoas estão perdendo sua inocência?
Eu acho que a abordagem do tema "inocência perdida" começou como um auto-retrato. Ano passado foi muito duro para mim e para a banda, mas especialmente para mim no lado pessoal, assim eu comecei pensando em coisas como em que tipo de pessoa eu havia me tornado ao longo dos anos, no que eu queria ser, e assim por diante.
Então eu notei que a verdadeira inocência que eu tive, ou que qualquer pessoa teve, quando nós éramos as crianças, já foi embora e isto é muito triste, já que a infância geralmente é o melhor momento de nossa vida, no qual não temos que nos preocupar com os problemas maiores do mundo.
Eu realmente quis modificar algo em mim com este álbum, digo isso em uma das canções, "Ocean Soul", que diz "Por Minha Música eu Quero Me tornar Algo Bonito uma vez mais". O processo de composição de "Century Child" para mim foi como uma terapia, coloquei todos esses sentimentos no papel em forma de música e agora quando eu ouço o CD, eu me sinto um pouco mais aliviado. Acho até mesmo que eu sou agora uma pessoa um pouco melhor.

Houve alguns rumores ultimamente sobre a saída de Tarja da banda. Gostaria que você me contasse o que aconteceu realmente.
Eu realmente não posso entender a reação da mídia e dos fãs para com isto. Todo o mundo está realmente amedrontado sobre o que está acontecendo com a banda porque no ano passado nós perdemos nosso baixista e nós mudamos a agência que nos empresariava e agora nós anunciamos que nós vamos dar um tempo de um ano. A coisa é que nós vamos dar um intervalo durante o ano 2003, mas nós possivelmente ainda iremos fazer alguns festivais na Europa no ano de 2003.
Esta pausa basicamente significa que não vai haver álbum novo em 2003 e que nós não iremos excursionar, mas a banda definitivamente não está se separando e eu já estou escrevendo músicas novas. Nós regressaremos no ano 2004. É justo uma pausa normal para descansarmos um pouco, não?

Após essa pausa, Tarja permanecerá no line up da banda?
Sim, absolutamente.

E antes do fim do ano vocês ainda pretendem fazer outra excursão ou alguns pequenos shows?
Isso seria impossível porque a Tarja já está estudando na Alemanha e a escola dela é extremamente rígida. Assim não há nenhum modo de nós fazermos qualquer excursão. A única chance que nós temos é de fazer alguns pequenos shows nos finais de semana antes do Natal. Isso já seria muito.

O quê você pretende fazer durante esse tempo. Você ficará longe da música?
Não, definitivamente não. Nós todos vamos continuar perto da música. Nós temos alguns projetos e também participações em gravações de outras bandas. Eu, por exemplo, toco teclados em outra banda de metal finlandesa e tenho ainda mais alguns projetos para esse período. Passarei este tempo bem ocupado.

O baixista Sami Vänskä deixou a banda no ano passado. O que ocorreu?
Em primeiro lugar quero esclarecer que foi uma decisão mútua. A motivação dele para com a banda realmente não era boa o bastante. Nós notamos isso e falamos com ele, já que o NIGHTWISH nunca foi o que realmente ele queria fazer. Assim todos nós concordamos que seria melhor para a banda e para ele se nós mudássemos. Não houve nenhuma briga ou algo assim. No lugar dele entrou o Marco Hietala, (SYNERGY e TAROT).

Quais foram os elementos novos que Marco Hietala trouxe à banda?
Quando eu comecei procurando um baixista novo eu queria alguém que pudesse cantar também. Eu já sabia que utilizaríamos vocais masculinos no álbum novo achei que nós poderíamos adquirir dois pelo preço de um.
Por isso escolhi o Marco, porque ele faz ambos perfeitamente bem e, de certo modo, ele renovou o estado de espírito da banda. Todo o mundo está se sentindo melhor agora. Ele é mais velho e toca o baixo há 20 anos e já passou por muitas coisas. Ele é uma pessoa realmente muito calma e amável e é como uma figura paterna para nós.

Quando você está compondo, o que você tem em mente: você ou os fãs?
Eu terei que ser egoísta aqui, pois a verdade é que eu só penso em mim. Eu tento me fechar e deixar fora de minha cabeça os fãs e a mídia para só assim eu poder fazer o que eu quero exatamente.
Pode ser duro dizer que eu não me preocupo com os fãs, pois é claro que eu penso neles, mas eu também tento manter isto fora de mim o máximo possível quando componho minhas músicas.

Qual a sua maior preocupação quando você está lançando um álbum novo?
Meu maior medo é quando eu pego a versão final do cd, antes de sair nas lojas, e vou para casa ouvi-lo. Eu nunca fico satisfeito comigo e esse é o momento de maior medo que eu tenho.
Tenho isso porque normalmente trabalho como um louco por um ano para as escrever as canções e depois mais seis meses para as gravações e o resto, logo, se eu não ficar satisfeito, é um desperdício de um ano e um meio de trabalho duro.

Se isso acontece e você não fica satisfeito com algo no álbum, vocês lançam ele assim mesmo ou refazem as coisas que não agradaram?
Depende do tamanho desta insatisfação. Você sabe que eu nunca estou 100% satisfeito com qualquer um de nossos álbuns e eu não acho que seja possível eu ficar um dia, mas se eu sinto que aquele álbum é o melhor que eu posso fazer neste momento, então eu lanço o álbum no mercado. Mas se o resultado não foi nada do que eu esperava, então eu refaço tudo.

 

* Entrevista em Português do Brasil, créditos mencionados na secção "créditos" deste site.


Interview with Nightwish 130

Source: Nightwish Portugal Fansite

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Entrevista Tuomas Holopainen (Dezembro de 2004) ao JB Online


'Acho que existem três pontos principais para nosso sucesso atual. Em primeiro está o fato de termos feito o melhor álbum de nossa carreira. Tivemos uma música como Nemo, que tem um óptimo potencial para rádio e videoclip e, apesar de estar bem no estilo de Nightwish, é fácil e com potencial para virar hit. Em segundo está a troca para a gravadora Nuclear Blast, que tem uma estrutura muito boa, principalmente para promoção. A terceira razão é o momento favorável para as bandas de heavy metal com vocais femininos, como Evanescence e Within Temptation.

Criado em 1996, Nightwish conta em sua formação, além de Tuomas, com a bela Tarja Turunen (vocal), Marco Hietala (baixo/vocal), Erno Vuorinen (guitarra) e Jukka Nevalainen (bateria). Quando os iniciantes do Evanescence lançaram, em 2003, o multi-platinado Fallen, misturando o lirismo do vocal feminino com guitarras pesadas, os finlandeses já eram grandes entre os fãs de música pesada. Ironicamente, no entanto, o sucesso de seu novo álbum acabou vindo um pouco na carona do fenómeno americano, por causa de algumas similaridades nos estilos das duas bandas.

''De uma certa forma eu entendo a comparação, principalmente para as pessoas que não estão muito por dentro da cena do heavy metal, pois as duas músicas têm elementos similares, como música pesada, os vocais femininos, muitos teclados. Mas se você ouvir com cuidado vai perceber que somos duas bandas completamente diferentes, com raízes e identidades diferentes. Eu até gosto do Evanescence, mas não acredito, de forma alguma que estejamos fazendo a mesma coisa. Além disso, nós podemos sempre falar que estamos há anos fazendo isso, enquanto eles estão apenas em seu primeiro álbum'', disse o teclista.

A qualidade de Once se reflecte nas vendas. O álbum, levou Nightwish a ultrapassar barreiras antes inimagináveis, chegando ao topo da parada europeia da Billboard, com disco de ouro e platina em vários países da Europa, como Alemanha, Grécia e a própria Finlândia.

''Eu esperava muito do álbum e acabei recebendo muito mais. Aconteceu exactamente a mesma coisa com todos os álbuns que já lançamos. Para o Once eu estava esperando disco de ouro em pelo menos um país além da Finlândia, coisa que nunca havíamos conseguido, mas a coisa fugiu completamente do controle. Tivemos um retorno incrível. Eu, definitivamente, não esperava algo assim'', contou Tuomas.

Com o novo álbum, Nightwish entra com tudo no mercado norte-americano, fortalece ainda mais seu nome na América do Sul e começa a conquistar de vez os japoneses, que, estranhamente, nunca deram muita bola para a banda. O teclista revelou alguns detalhes sobre o desempenho do álbum fora da Europa:

''O Japão sempre foi um mercado muito difícil para nós. Praticamente todas as bandas de heavy metal da Finlândia são muito grandes por lá, com excepção de Nightwish. É um dilema, eu não sei o que acontece. Nunca tocamos lá. Mas desta vez até que estamos indo bem, o álbum já vendeu mais de 50 mil cópias, o que é três vezes mais do que o anterior. Nos EUA o álbum foi lançado lá há cerca de um mês e meio e eu ainda não tenho os números de vendas, mas fizemos nossa primeira turne por lá recentemente e tivemos vários shows com lotação esgotada. Certamente algo está acontecendo por lá para nós. Além disso, o álbum está vendendo bem na América do Sul. Ouvi algo sobre já ter passado de 30 mil cópias apenas no Brasil, o que é muito bom, e que Nemo está tocando muito nas rádios e na MTV brasileira'', contou Tuomas.

As músicas novas foram todas acompanhadas pela orquestra The Academy of St.Martins in the Field, cujos músicos gravaram a trilha sonora da trilogia ''O Senhor dos Anéis'', escrita por Howard Shore. De acordo com Tuomas, algumas faixas de Once, como Kuolema tekee Taiteilijan e Creek Mary's blood, por sua complexidade, não poderão nunca ser reproduzidas ao vivo. Pelo menos não enquanto a banda não conseguir fazer um show com uma orquestra em cima do palco. O teclista revelou, no entanto, que há planos para um grandioso show.

''Acredito que músicas de Once nós nunca vamos poder tocar sem a orquestra. Para as músicas que estamos tocando, tivemos que fazer alguns arranjos especiais. Eu estou usando muito mais os teclados e o resto das coisas são bases pré-gravadas. Esta é a única maneira de fazer, pois não temos como estar trazendo a orquestra para o palco na turnê'', afirmou Tuomas, que revelou alguns planos para o futuro: ''Um show com uma orquestra está sendo planejado. Não há ainda uma data específica ou lugar que eu possa divulgar, mas pode ser façamos isso em Outubro ou Novembro de 2005, para a gravação de um álbum ao vivo e um DVD''.

Nightwish tem uma relação de carinho e identificação com o Brasil. Tuomas cita em seu perfil, no website oficial da banda, que o show de julho de 2000, em São Paulo, foi o melhor de sua vida, enquanto a vocalista Tarja fala que as turnes sul-americanas, como um todo, são sempre as melhores.

''O povo da América do Sul carrega algo que é muito difícil de entender, porque nós, finlandeses, somos muito calmos, frios, algumas vezes até melancólicos. Quando visitamos o Brasil sempre nos deparamos com pessoas alegre, loucas, apaixonadas, com a emoção à flor da pele, o que é muito recompensador e lisonjeiro para nós. Tocar no Brasil é sempre o ponto alto de nossas turnes. É um lugar onde sempre nos divertimos muito'', disse Tuomas, que prometeu um show matador: ''Acho que estamos em uma óptima forma como banda e encontramos uma química melhor do que nunca, pois já fizemos bastante shows nessa turne. Vamos subir no palco e procurar nos divertir bastante e dividir a energia com a plateia. Deveremos tocar cinco músicas no novo álbum, num show com cerca de uma hora e meia, ou uma hora e quarenta minutos''.

 

 

* Entrevista em Português do Brasil, créditos mencionados na secção "créditos" deste site.


Interview with Nightwish 129

Sources:

Translation by Niko from Nightwish-World.com Forum

Video by YleX from YLE.fi
Part 1 2 3 4 5 6.

TRANSLATION

The album of the week - or should we call it albums of the week - in YleX is Nightwish’s Lokikirja. Why did you want to release the box of all your albums right now?
- This is more the record company’s idea. We are on a break now. Of course, we knew that this will be released, but we haven’t participated much in the project. We’ve only followed how it’s going on, for example checking what kind of booklet it’s going to have. We didn’t even want to make the cunning move by recording a couple of new songs to it in order to get more money.

Did this project make you more interested about listening to the older records yourself?
- No it didn’t, and I doubt that it ever will. I’m not so interested about listening to my own music. I don’t usually listen to the old Tarot material either. Of course, I didn’t play in the early Nightwish albums and I’ve listened to the old Nightwish records when I have rehearsed to play those songs.

Eight albums is a lot. Do you see some turning point that helped the band become big?
- Well, it’s difficult to comment the Angels Fall First and Oceanborn eras, because I wasn’t involved with the band in any way. At that point we just met once at Huvikumpu in Siilinjärvi (in spring 1998) when fresh Nightwish supported Tarot. Already then I noticed that the band is potential. The combination of the (opera) singer and (heavy metal) band and ambitiousness of their music showed clearly that they can become famous, but at that point they were quite green.

What are, in your opinion, the most important areas in which Nightwish has improved in all these years?
- Well, maybe the most important thing is that the band and the crew has grown together and formed a kind of a family who can live together, communicate and react to different things quickly and relaxedly. So you are not searching for your role all the time. Now all members know their role in the band and can work according to the role.

Nightwish’s hardest tour is now over. It lasted years. What did you learn from that? What are you going to do differently in the next time?
- We’ll do a shorter tour, less work *laughs*. That’s what we learned. It’s not a good idea to drive yourself to the grave by working too much.

When did you realize that Anette isn’t as experienced in tour life as the other band members who have had long tours earlier?
- Quite quickly. For example, Anette is a social person and wanted to talk to someone all the time, while the rest of us wanted to spend the free day in hotel more like going to your room, throwing the clothes away and being naked the whole free day and only wear pyjama or underwear when the room service brings some food. So we wanted to be alone while Anette didn’t want to be left alone. She was like “I’m so lonely”.

And you guys said that you want to be alone?
- Yeah. And that was a big difference in our behaviour. But I think that towards the end of the tour she got used to it when she lost the adrenaline boost she had in the beginning of the tour. So she realized that it’s good to rest while you can when you’re on the road.

What’s the schedule of the new album?
- At the latest in the next spring we’ll exchange our demos and check what kind of songs we are going to have. I’ve made some new material and I’m going to record it at home and then send it to Tuomas and see if it passes his filter. In the next summer we’ll probably have the songs ready and we’ll start to rehearse and arrange them. And after that, we’ll record them. But I don’t think that the album will be ready before 2011.

You’ve chosen the songs from Lokikirja that we’ll play on radio. What shall we play first?
- The first song is from the Angels Fall First album, Beauty and the Beast.

Why did you choose that particular song?
- It’s quite a lot because of this song that I was chosen to the band. I played in Sinergy when we supported Nightwish in their five weeks tour in Europe (in autumn 2000). Tuomas didn’t want to sing the male vocals of the duet himself, so he asked if I could sing them. So in the last two or three weeks of the tour I was featuring Nightwish by singing the male vocals of the song. We had a good time together and realized that we like the same kind of books and movies and things like that. And when Nightwish was replacing their bassist later, Tuomas remembered me and asked me if I would like to join the band. And now I’ve played in the band for a long time. So, let’s listen to the remastered studio version of the song in which Tuomas sings the male vocals.

- The next song is from Oceanborn. It’s The Pharaoh Sails to Orion. It has a nice fantasia or science fiction style name and Tuomas has told me that he enjoyed writing the song. He used all kinds of odd words and wrote a nice poem. It’s a strange mixture of different parts. I’ve played this live myself too, but I don’t remember it very well anymore. Maybe I should rehearse it again. And Mr. Wilska will earn a few cents of royalty money when this is played on radio, because the song includes his awesome grunting.

- Moving forward in time to the Wishmaster album. Let's play Come Cover Me. It was an important song for me and joining the band. When Sinergy and Nightwish had that tour together, and Eternal Tears of Sorrow was touring with us too, greetings to those nice guys, this was the song that we went to listen, when we were in a slight buzz in few nights. I paid attention to Tarja who had improved from earlier tours. Her singing wasn't anymore purely technical high and loud classical singing, but it had become softer and more emotional. So this song made me a big impression and I also noticed that the rest of the band had improved too.

- And then from the next studio album, which is Century Child. Let's play Slaying the Dreamer, which includes Holopainen's darker thoughts. This is a song in which I had a chance to try something I hadn't tried before. I had got used to old school melodic metal singing, but in this I had to torture my vocal cords by yelling in the last part of the song. It was nice to realize that "this if fun too" and I was able to do that. It's a nice prog song that ends in a shake that could move continents. It describes the band's style well, so let's listen to it now.

- The next studio album is Once. It was a very important album that increased the band's success. It includes, for example, Nemo and the album sold more than any other Nightwish album before, although the earlier albums are good too. But this is the album that made us really big (in Finland). It includes a song that I still like very much, The Siren. Its elements are slightly ethnical and it has nice contrasts. There aren't so many words in verses, for example, Tarja has no words in the chorus and I have just a couple of lines in it. It has a unique structure, but it works well and is heavy and melodic.

- The last one is from Dark Passion Play. I'll make a bit selfish move and choose The Islander. It's a song that I wrote myself. Well, Tuomas wrote the lyrics of course. The song has probably the best music video in which I've ever been, thanks to Stobe Harju. He had a great vision and he implemented it very well with the people who participated in the project. It was a nice, although a bit cold day, in the Pirunpelto, Rovaniemi where we filmed the video. But we had a nice feeling and a good group and so on. And it's a good song, nothing to complain about.

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